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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"Perdoa o drama e não desiste de mim"

Eu vou explicar e você não vai entender, perguntar "como assim?" e eu vou dizer "assim" porque é assim mesmo. Juro que procurei, mas não achei outro jeito de te fazer entender o meu drama.
Eu achava que não era possível, mas hoje te senti mais distante. Cheguei a falar sozinha debaixo do cobertor, fazendo de conta que você tava ali comigo. Disse coisas bonitas pro ar, ri, chorei, pedi beijo, quis um abraço mas o frio parecia não querer cessar.
A verdade é que eu queria teu amor mais perto, porque gostar de longe faz ferida no coração, esburaca a alma de saudade e enche a gente de vazio...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Bilhetinho

Benzinho, estou louca. O mundo me está esquisito, as ruas trocadas, tá tudo invertido e de cabeça pra baixo. Ando, ando, sigo setas, sinais, placas, mas não me encontro. Tudo gira ao meu redor e nada faz sentido, e eu só quero uma resposta, céus, uma simples resposta! Às vezes o caminho parece certo, mas aparecem bem no meio pessoas interessantes, cheiros gostosos e lugares atraentes e eu me distraio... No final da estrada aparece um espelho meio torto, com uns pedaços faltando, e não há reflexo! Fico sem identidade, fico frustrada, grito nomes, peço ajuda, mas estou muda e invisível. Corro para todos os lados, faço e refaço meus caminhos mas é tudo igual! E quanto mais ando, mais distante pareço estar de mim mesma... Os caminhos são sempre os mesmos, já sei de cor e salteado cada passo que dei e todos os que ainda vou dar. Tudo está cada vez mais monótono, já me acostumei a fazer tantos círculos que quando me aparece um caminho diferente para seguir, fico com medo de mudar tudo de novo porque isso talvez me faça mal, talvez, talvez, sei lá. No entanto, algo me prende, tem algo me dizendo pra continuar porque vai ser melhor assim. Mas eu não sei, não... Eu percebo que não tá tudo bem e que eu posso me encontrar no final de outro caminho, onde talvez o vento que me arrasta mais pra cá esteja mais forte, mas e daí? Deve chegar um momento em que ele pára, né? Será que chega? Esquece, você não vai saber. Ninguém sabe, mas é por isso que eu tô andando feito louca, é por isso que eu tô distante e eu espero que você entenda, meu amor. Eu quero uma resposta, você me conhece e sabe que não sou de ficar parada, tampouco de esconder debaixo do tapete. Então olha, eu tô indo, tá? A essa altura já devo estar chegando lá. Eu volto pra você, benzinho, eu volto pra ser feliz contigo ou sozinha, como tenho andado. Mas não me espera não, vai se perder também que a gente deve se achar...

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Tô indo.

Eu vou
E vou andando
Vou correndo
Vou cantando
Vou brincando
Vou sentindo
Vou amando
Vou doendo
Vou sangrando
Vou morrendo
Vou só
Mas vou

terça-feira, 22 de maio de 2012

MONOTONIA

Ficar só, só com a minha crise, só comigo, só com a minha existência, só com o meu cansaço, só com o meu cobertor, só com a minha dor de cabeça, só. Ficar deitada curtindo o tédio, curtindo aquele teto branco sem graça, a parede branca tão sem-graça-vazia-e-sem-vida quanto o teto, curtindo meus pés quentes debaixo do cobertor. A maçaneta de vidro da porta que me olha de jeito que me faz querer levantar só pra brincar com cada detalhezinho entalhado nela, de girar pra lá e pra cá até ela cair. Mas eu não levanto. Não levanto porque tenho preguiça, porque tenho que dormir, porque a vontade passou, porque na verdade eu só quero apagar a luz e chorar mais um pouquinho. E eu choro. Choro porque a dor só faz doer mais e me esburacar o coração, porque eu tô cansada, porque eu não quero mais fingir que não tô ligando e que não tô nem aí, porque eu não aguento mais ter dor de cabeça todo dia, porque eu preciso parar de tomar tanto analgésico, porque minhas notas estão baixas, porque a vida tá chata, porque o mundo tá chato. Querer explicar pra mim mesma essa crise insuportável, mas pedir atenção, mas não querer explicar pra quem se importa em saber porque não diz respeito a ninguém além de mim, querer chorar de novo, querer ir embora, correr, fugir, sumir, não voltar.
E voltar. Voltar diferente, fazer diferente, viver diferentes, sorrir diferente, amar diferente, chorar diferente. Pra querer sumir de novo.