sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Tô indo.

Eu vou
E vou andando
Vou correndo
Vou cantando
Vou brincando
Vou sentindo
Vou amando
Vou doendo
Vou sangrando
Vou morrendo
Vou só
Mas vou

Pequenina referência a Oswald de Andrade.

Pensar
Pesar

Um sonho desses, numa noite dessas...

Eu. Você. Pernas, pernas, mãos, braços, corpos suados e um enorme desejo nos unindo.
Esse desejo que, por meses, fora acumulado e reprimido, um desejo proibido, uma paixão impossível e distante. Finalmente teríamos nossa vontade saciada, pelo menos uma vez. Os corações acelerados, as respirações fortes e ofegantes tão perto...
- Vou sentir saudades. - murmurei, ao sentir um aperto no coração que gritava por mais, que queria aproveitar cada pedacinho daquele corpo que nunca mais seria meu. Sabia que o que fazíamos não era certo, mas não havia um vestígio sequer de culpa naquele sofá. Cada toque, cada beijo, cada olhar valia a pena.
- Eu também. Por favor, fica... - você me disse com um olhar doce, com um tom ingênuo mas com a certeza de que era impossível.
- Por hoje eu fico, bonita, por hoje eu fico...
Não quero acordar...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Abstinência (José)

Acabou a luz, acabou a noite também.
Acabou o drama, a tristeza, o medo. Menos mal.
Mas acabou a gritaria na rua, o dia raiou e meu copo tá vazio. Acabou a cachaça, acabaram-se os bêbados felizes da rua também. Acabou a alegria.
E o dia azul que chega traz a monotonia e o tédio de volta, traz minha vida medíocre e a dor. Trouxe o amor.
O amor que me fez tão feliz e que me fez sorrir contente pela primeira vez. Foi bom, e é bom sentir de novo. Sentir o sangue correr pelas veias, o coração bater forte. Pena que não volta mais.
Porque acaba também. O amor acaba, assim como vêm se acabando meus dias, do mesmo jeito que acabou esta última noite de sexta-feira. Era a animação dos bêbados, era a música na rua, eram as brigas de bar, era o cheiro desagradável de cerveja e bueiro, era o não-se-importar-com-nada.
Mas veio o dia, veio o sol, veio o calor, veio a dor. Não quero saber, que venha o escuro de novo, traz minha alegria de novo, quero a luz das minhas velas e o cheiro de cera derretida sobre os papéis amassados.
E acabaram-se as velas e os fósforos. Rascunhos foram pro lixo e só restou minha mente cheia de ideias emboladas que não se concretizam.

Acabou a luz, acabou a alegria e a dor. Acabou o amor, tudo bem.
Acabou o cigarro, merda. E agora?

quarta-feira, 4 de julho de 2012

~

Ah, bonita... Me olha, me nota. Eu tô aqui, eu tô aqui! Me atende, me responde, diz que sim, pode até dizer que não. Conversa comigo, briga comigo. Diz que gosta de mim, diz que eu não presto. Mas não se faz de desentendida, não finge que não vê.
Diz a verdade, diz que lá no fundo você me quer, eu sei que você quer! Me beija, me xinga, me abraça, me maltrata... Me ama, bonita! Me ama porque eu te amo, porque eu sei que eu não presto também, porque a gente é tão diferente, e porque a gente se parece tanto!
Eu prometo que não vou ser mais um. Eu vou ser aquele que te amou como ninguém, mas também o que te amou como tantos outros e outras.
Vem pros meus braços, bonita, porque eu te quero tão bem quanto você me quer mal..."

terça-feira, 22 de maio de 2012

MONOTONIA

Ficar só, só com a minha crise, só comigo, só com a minha existência, só com o meu cansaço, só com o meu cobertor, só com a minha dor de cabeça, só. Ficar deitada curtindo o tédio, curtindo aquele teto branco sem graça, a parede branca tão sem-graça-vazia-e-sem-vida quanto o teto, curtindo meus pés quentes debaixo do cobertor. A maçaneta de vidro da porta que me olha de jeito que me faz querer levantar só pra brincar com cada detalhezinho entalhado nela, de girar pra lá e pra cá até ela cair. Mas eu não levanto. Não levanto porque tenho preguiça, porque tenho que dormir, porque a vontade passou, porque na verdade eu só quero apagar a luz e chorar mais um pouquinho. E eu choro. Choro porque a dor só faz doer mais e me esburacar o coração, porque eu tô cansada, porque eu não quero mais fingir que não tô ligando e que não tô nem aí, porque eu não aguento mais ter dor de cabeça todo dia, porque eu preciso parar de tomar tanto analgésico, porque minhas notas estão baixas, porque a vida tá chata, porque o mundo tá chato. Querer explicar pra mim mesma essa crise insuportável, mas pedir atenção, mas não querer explicar pra quem se importa em saber porque não diz respeito a ninguém além de mim, querer chorar de novo, querer ir embora, correr, fugir, sumir, não voltar.
E voltar. Voltar diferente, fazer diferente, viver diferentes, sorrir diferente, amar diferente, chorar diferente. Pra querer sumir de novo.

domingo, 13 de novembro de 2011

~

"E quando suas mãos se encontraram e os dedos se entrelaçaram com aquela naturalidade tão bem conhecida pelas almas apaixonadas, souberam que se tinham um ao outro... Não precisariam de mais nada."